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GCDE na Comunicação Social

III Encontro Regional de Educação

Apostar na Formação no Alentejo

01/06/2005- A Defesa

Segunda e terça-feira passadas, dias 23 e 24 de Maio respectivamente, decorreu em Évora, no auditório do Colégio do Espírito Santo, o III Encontro Regional de Educação – Aprender no Alentejo, desta feita subordinado ao tema "Boas Práticas e Formação no Alentejo".

Num evento cujo prestígio junto da comunidade tem aumentado exponencialmente, estiveram presentes na sessão de abertura, Manuel Ferreira Patrício, reitor da Universidade de Évora, Henrique Troncho, governador civil de Évora, José Ernesto de Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Évora, Bravo Nico, na qualidade de presidente da Comissão Organizadora, Luís Sebastião, presidente do Conselho do Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora e por fim, em representação do Ministério da Educação, Ruben Leitão.

Com um auditório composto, Manuel Ferreira Patrício realçou a questão da educação como "um combate de todos e para todos", "uma temática nuclear na valorização das nossas pessoas". Numa alusão clara ao processo de Bolonha, que coloca novos desafios e questões à estrutura do ensino universitário em Portugal, o Reitor da Universidade de Évora afirmou a necessidade de "substituir o paradigma do ensino pelo paradigma da aprendizagem": é necessário "sermos nós próprios a arregaçar as mangas e a procurar as respostas". Manuel Ferreira Patrício defendeu ainda "uma política de discriminação positiva da educação para o Alentejo", tendo em conta o risco de desertificação desta região, logo, com problemas estruturais bastante próprios.

Ministério aposta na certificação de competências

Em representação do Ministério da Educação, Ruben Leitão desdramatizou a situação da educação no nosso país. Assim, após afirmar que "o essencial do edifício educativo está de pé desde a lei de bases de 1986", reforçou a ideia de que este Governo "não quer lançar uma nova reforma". Uma das soluções passará, de acordo com Ruben Leitão, pela "valorização do contexto não formal da educação", através dos Centros de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) - um "instrumento fundamental mas que precisa de afinação", completou.

Este instrumento tem como função a certificação de profissionais activos que, tendo efectuado a sua aprendizagem em contextos não formais, é dizer, cuja aprendizagem não decorreu em paralelo aos sistemas de ensino, e por isso, não tiveram certificado de habilitações compatível com os conhecimentos que possuem. Ainda a propósito dos RVCC, Ruben Leitão justificou o insucesso que o projecto teve até agora (numa previsão que apontava para os 600 mil certificados passados, apenas 20 mil foram expedidos), pela necessidade de alargamento da rede de RVCC's à rede escolar e centros de formação, melhorando a articulação entre estes Centros e os outros organismos. Outra questão a superar será a equivalência de escolaridade que atribui, que só chega ao 9.°ano, quando se pretende que atinja o 12.°.

O poder local deve ter uma palavra nos conteúdos

A destacar ainda a intervenção do edil eborense, José Ernesto de Oliveira, que, derivado da sua função como docente, que exerceu por largos anos, evocou o acto de aprendizagem como "vinculado à realidade concreta que circunscreve a nossa vida", e nesse campo, realçou a actividade da Câmara Municipal no que concerne à melhoria do parque escolar concelhio. Mas mais importante do que isto, foi o que disse acerca dos conteúdos leccionados: "o poder local deve ter uma palavra a dizer nos conteúdos - para ligação do acto de aprendizagem à realidade que o envolve". A terminar, mencionou o projecto da Universidade Sénior, "em que não se quer formar académicos, mas ajudar os cidadãos séniores" na ocupação do seu tempo e valorização da sua pessoa como veículo possuidor e transmissor de conhecimentos, "sendo em simultâneo educadores e educandos".