O Comando de Instrução e Doutrina do Exército organizou em Évora um seminário destinado não só a celebrar os 200 anos da Guerra Peninsular, mas Igualmente para dar um contributo importante quanto ao papel desempenhado pelas mulheres de Portugal nas Invasões francesas.
Como é do conhecimento geral tratou-se de um período grave na história do nosso país, e que teve início em Novembro de 1806 quando Napoleão decretou o bloqueio à Inglaterra intimando Portugal a encerrar os portos aos navios britânicos, situação que não foi aceite. Recusado o ultimato, Portugal foi invadido por um exército francês com mais de 20 mil homens sob o comando de Junot que foi progressivamente ocupando o território até chegar a Lisboa. Aí já a família real fugira para o Brasil bem como alguma nobreza, e o exército estava desmembrado.
Reorganizadas as Forças Armadas estas foram apoiadas com o envio de militares ingleses sob as ordens de Wellington. O exército anglo-luso alcança duas importantes vitórias, em Roliça e Vimeiro e os franceses deixam Portugal. Mas o conflito manteve-se com a chegada da 2ª invasão (1809) chefiada por Soult desta feita com 80 mil homens que entraram pela zona de Trás-os-Montes.
Uma terceira invasão ocorre em 1810 com tropas comandadas por Massena. Mas aí tudo se alterou: os franceses foram massacrados em Almeida, depois no Buçaco e finalmente "travado" nas Linhas de Torres; retirando-se em 1811 perseguido pelas tropas anglo-lusas que prosseguiram esta guerra Peninsular até ao armistício em 1814.
Foram estes episódios recordados na sessão que já referimos e decorreu no auditório da CCDRA com a presença do Vice-Chefe do Estado Maior do Exército, Tenente-General Mário de Oliveira Cardoso; do Comandante de Instrução e Doutrina, Tenente-General Luís Miguel de Negreiros Morais de Medeiros, a Governadora Civil do Distrito, Fernanda Ramos; a vereadora da Câmara Municipal, Cláudia Sousa Pereira e Lina Jan vice-presidente da CCRDA.
Usou inicialmente da palavra o General Oliveira Cardoso que salientou o papel das mulheres nos grandes conflitos, considerando que para além das forças militares, quem ajudou a derrotar os ocupantes foi o povo e muitas mulheres que pegando em armas, ficando assim indelevelmente ligadas a este episódio da nossa história militar.
Depois o General Maia Mascarenhas fez um resumo daquilo que ia ser proposto pelos oradores, mas adiantando que desta guerra podia ser recordado o papel dos seus generais, dos ingleses, dos padeiros ou outra situação qualquer. Mas por justiça haveria necessariamente que recordar a acção das mulheres; as heroínas, as intelectuais, as rainhas, as amantes e as mulheres do povo.
E assim se avançou para os diversos painéis agendados para este acto: o Professor Doutor Francisco Vaz falou acerca do papel das mulheres durante o Saque de Évora, pelos franceses em 1808; depois a Dra. Mónica Alexandre Ferro Rodrigues aludiu ao tema "A Mulher na Guerra. Uma abordagem polemológica". Seguiram-se o Coronel Fernando Policarpo com "O Contributo da Mulher para a eficácia dos Exércitos; o caso específico da Guerra Peninsular"; a Professora Doutora Cristina Clímaco com "A Mulher no Exército Francês"; a Dra. Maria de Jesus Caimoto Duarte com "D. Carlota Joaquina e o Novo Mundo"; Dra. Paula Pastor de Sousa e Dra. Ana Filipa Correia com "O Trono e o Altar"; Dra. Graça Soares Nunes no trabalho "Figuração da Mulher nas Guerras Peninsulares"; Dr. António Fundo com "A Liderança de uma Mulher na Defesa de Penafiel" e, finalmente uma leitura encenada da peça "O Render dos Heróis" de José Cardoso Pires.
A sessão encerrou ao fim da tarde sob a presidência do Comandante da Instrução e Doutrina.
Numa sala do piso térreo da CCRDA está patente uma interessante exposição constituída por fotos de diversas mulheres portuguesas, galegas e inglesas que participaram na defesa do país no decorrer da Guerra Peninsular.