O Ministro da Administração Interna, Rui Pereira dedicou o final da tarde de quinta-feira e a noite a duas acções de fiscalização e sensibilização da PSP de Évora e da Brigada de Trânsito da GNR. Durante aproximadamente cinco horas, o governante falou com os condutores alertando-os para os comportamentos a ter na estrada, advertindo para os cuidados a ter sempre que se conduz uma viatura.
Terminadas as operações stop quer da GNR o balanço é positivo. Assim, e de acordo com o intendente Ricardo Abreu Matos, comandante da PSP de Évora, esta acção de fiscalização que começou às 19h e se prolongou até às 21h, à entrada de Évora, baseou-se na despistagem do álcool e documentação. Estiveram envolvidos cerca de 20 agentes, dois chefes e um subcomissário. Na sua opinião, é notável o cuidado que as pessoas já têm, nomeadamente com a colocação do cinto de segurança e com a correcta documentação.
"Ao todo foram fiscalizadas cerca de 260 viaturas e destas apenas duas não traziam a documentação completa, assim foram levantados dois autos para apresentação de documentos num prazo de oito dias, caso não o façam terão uma sanção agravada", explicou o comandante.
No que concerne à operação stop da GNR, esta localizou-se nas bombas de gasolina do Vimieiro desde as 23h às 02h de sexta-feira. Segundo o Tenente Coronel Jacob, comandante distrital da GNR, o volume de tráfico foi bastante grande, tendo sido fiscalizadas 74 viaturas, a maioria delas viaturas pesadas, tendo resultado dessa acção algumas infracções. "Detectámos 19 infracções por excesso de velocidade, excessos de peso e uma infracção no âmbito fiscal. Tivemos assim cinco infracções leves, nove infracções graves, uma muito grave que foi excesso de velocidade e uma viatura e mercadorias apreendidas supostamente por contrafacção", adiantou. O comandante concluiu dizendo ainda que estiveram envolvidos 26 militares, 23 praças e os restantes oficiais e graduados.
“É importante que todos os cidadãos continuem a ter um cuidado especial na condução, evitar excesso de velocidade, não praticar manobras perigosas e a não beber quando conduzem", afirmou o governante que recordou que a estrada tem sido um meio de desenvolvimento do país, devendo ser visto como tal e não como "uma guerra civil". Rui Pereira recordou que antes de 1974, o país tinha 80Km de auto-estrada e agora tem mais de três mil, sendo o automóvel um meio de deslocação rápido que permite uma aproximação muito fácil das pessoas. "Na década de 70 tínhamos 500 mil viaturas automóveis e hoje temos mais de cinco milhões, mas todo esse progresso tem que ser acompanhado de comportamentos responsáveis, de uma mentalidade responsável, de cidadãos plenamente conscientes para evitar riscos, para evitarem causar infelicidade às famílias e à comunidade", sustentou.
O Ministro frisou que, ao longo dos últimos anos, Portugal tem feito progressos muito sensíveis, sublinhando que em meados da década de 80 registaram-se mais de 2.600 mortos por ano nas estradas portuguesas, enquanto hoje há um terço do número de mortos. "Tivemos 85 mortos ainda a lamentar em 2006 e 854 mortos em 2007, portanto fizemos grandes progressos. Mas temos que continuar sem desfalecimento neste esforço para prevenir a sinistralidade rodoviária", asseverou.
A mesma ideia foi partilhada pela Governadora Civil de Évora, Fernanda Ramos que, tendo em conta a sua experiência em acções destas, referiu que por norma as pessoas são receptivas, declarando acreditar que há uma consciencialização muito grande das pessoas em relação à problemática das mortes na estrada e dos acidentes. "Contudo, nem sempre as coisas acontecem pelo melhor e o exemplo disso foi o acidente que ocorreu anteontem entre Montemor-o-Novo e São Cristóvão, mas eu penso que se todos quisermos colaborar de certeza que conseguimos resolver ou atenuar este drama que existe", sustentou.
Para a governadora, há que ter em conta que os carros são cada vez mais potentes, as estradas são cada vez melhores, havendo assim uma tendência para uma condução mais arriscada "e por vezes as coisas acontecem". "Vamos ver se efectivamente conseguimos com estas campanhas sensibilizar ainda mais os condutores", acrescentou.
Uma inovação nestas campanhas de sensibilização foi a presença de jovens voluntários, que fizeram um inquérito aos condutores fiscalizados. De acordo com Fernanda Ramos, estas campanhas têm também como objectivo perceber exactamente o que é que os condutores sabem e como o Governo Civil deve prosseguir nas seguintes campanhas. Esta operação Stop contou ainda com a presença do Conselho Coordenador de Segurança Rodoviária e do Gabinete de Segurança Distrital que também fizeram sensibilização. "Portanto temos aqui um conjunto de entidades que estão a dar a cara, a dizer precisamente à população que todos estamos empenhados neste processo e que todos queremos com a nossa força e com a nossa vontade ajudar a resolver o problema, divulgando e sensibilizando as pessoas", comentou.
Instada sobre os números de mortes até 31 de Julho, no distrito de Évora, a governadora explicou que se verificaram menos feridos graves, tendo contudo o mesmo número de mortos que em 2006, o que quer dizer que comparando com 2007, há mais um morto do que no ano passado. "Estes números deixam-me preocupada, apesar de eu reconhecer que tem havido maior sensibilização e que as pessoas estão mais disponíveis para esta causa, mas o facto é que os acidentes acontecem", explicitou, acrescentando que o mês de Agosto está a começar mal com três mortos nas estradas do distrito.
Em seu entender, só será possível combater a sinistralidade "quando todos e cada um de nós assumir a responsabilidade que tem neste processo. Para isso estamos a pedir que não conduzam com excesso de velocidade, que tenham cuidado nas ultrapassagens, que utilizem sempre o cinto de segurança, que transportem correctamente as crianças, que não consumam álcool, nem outro tipo de substâncias".
Para a jovem Ana, de 15 anos, voluntária, esta acção "é muito importante", estando encarregue de fazer um pequeno questionário aos condutores para saber se conhecem algumas regras da prevenção rodoviária. "O questionário está a correr bem, as pessoas estão a responder correctamente. De uma maneira geral, os condutores, inquiridos revelam estar informados", explicou.
Maria Silva foi uma das condutoras fiscalizadas e declarou que "deveriam ser feitas mais acções de sensibilização pois espero que sirvam para alguma coisa". Também Joaquim Martins, emigrante na Suíça, a passar férias na cidade natal, sublinhou o papel preponderante destas operações stop, revelando mesmo ter "sito muito importante poder apertar a mão ao Sr. Ministro". Não obstante, não deixou de criticar que a realidade é muito diferente nos dois países, dizendo mesmo que "há muitas mais condições na Suíça, devendo mudar a mentalidade dos condutores portugueses nas estradas, bem como as próprias vias também deveriam ser requalificadas".