A iniciativa Limpar Portugal, que teve lugar em todo o país no passado sábado, permitiu recolher cerca de 170 toneladas de entulho no concelho de Évora, informou o coordenador concelhio do projecto.
Segundo Carlos Borralho, em Évora comparecerem à chamada cerca de 500 voluntários, que “conseguiram recolher 170 toneladas de entulho e um número ainda desconhecido de resíduos de espécie diversa”.
“Só ao longo desta semana é que iremos saber ao certo a quantidade de lixo recolhido e separado nos terrenos, previamente identificados do concelho de Évora em que decorreu esta acção de cidadania”.
Relva sintética, pneus, ópticas de automóveis, electrodomésticos, entulho de obra, peças sanitárias e um sem número de resíduos foi algum do lixo com o qual os voluntários de Évora se depararam, num dia caracterizado pela instabilidade atmosférica.
À chamada para Limpar Portugal também compareceram algumas figuras públicas de Évora, nomeadamente o Presidente da Câmara Municipal, José Ernesto D’Oliveira, que esteve junto às margens da Barragem do Monte Novo, a Governadora Civil do Distrito, Fernanda Ramos, e o eurodeputado e Presidente da Assembleia Municipal, Capoulas Santos, que juntamente com elementos da EPRAL, estiveram nos “percursos do Monfurado” a ajudar à limpeza.
Cerci, Segurança Social, PSP, GNR, Exército, Universidade, Aminata, Bombeiros Voluntários, Câmara Municipal, junta de freguesia dos Canaviais, Senhora da Saúde, Malagueira, Governo Civil, CCDRA, IPJ, CEAI, LPN, Banco do Voluntariado da Fundação Eugénio de Almeida, Quercus, SEPNA GNR, GESAMb, Gesreal, AALCA, APEA, Sociedade Harmonia Eborense, Agrupamento de Escuteiros 890, Diário do Sul, A Defesa, Tipografia Giraldo, Jorge Augusto publicidade, Quinta Monte Novo, AKI, Pingo Doce, Modelo, EDP, e REN foram algumas das entidades que também marcaram presença nesta jornada de solidariedade pelo meio ambiente de Portugal.
Segundo dados nacionais, cerca de 100 mil voluntários recolheram no sábado, em nome da iniciativa "Limpar Portugal", mais de 70 mil toneladas de lixo por todo o país. "O tempo dificultou um bocado, mas apesar disso conseguimos reunir os 100 mil voluntários que queríamos. As opiniões técnicas é que conseguimos recolher 70 mil toneladas de lixo", relatou Paulo Torres, um dos três coordenadores nacionais e mentores do projeto. Dentro de dias, sublinhou, os aterros sanitários e as entidades de reciclagem poderão confirmar os números com mais precisão.
A ideia de recolher resíduos espalhados nas matas surgiu em Julho passado, quando o técnico de logística Nuno Mendes, de 38 anos e residente em Vila Nova de Famalicão, publicou no fórum da Internet do clube LandMania (para fãs de veículos Land Rover) um vídeo sobre um projecto concretizado em toda a Estónia, onde se reuniu mais de 10 mil toneladas de lixo.
A legenda "Para quando em Portugal?" suscitou de imediato o interesse dos associados Rui Marinho, com 43 anos e gerente de uma empresa de produtos químicos em Santo Tirso, e Paulo Torres, empresário de comércio de 50 anos e morador em Braga.
Nenhum tinha até então estado envolvido em associações ambientais, mas todos partilhavam uma preocupação: o lixo que encontravam durante os passeios em todo-o-terreno, desde pára-choques, pneus, resíduos industriais e entulhos de obras a electrodomésticos e sofás.
Com uma rápida divulgação na Internet, o projecto acabou por ganhar a atenção da comunicação social, das autarquias, de empresas públicas e privadas, do Ministério do Ambiente (que concedeu apoio logístico e jurídico) e da Presidência da República, que lhe atribuiu o alto patrocínio.
Os mentores acreditam que o facto de este ser um movimento cívico, que não aceita dinheiro, foi crucial para o envolvimento "espectacular" da sociedade, que resultou na identificação de cerca de 13000 pontos com lixo em todo o país, entre florestas e terrenos urbanos.