O Governo Civil do Distrito de Évora acolheu a reunião de sábado da Federação Internacional de Mulheres de Carreiras Jurídicas.
"Lutar pela erradicação de todas as formas de discriminação contra as mulheres e promover os seus direitos humanos" é o objectivo pelo qual foi criada a Federação Internacional de Mulheres de Carreiras Jurídicas (FIFCJ). Esta é organização não-governamental fundada em Paris, em 1928, contando actualmente com a filiação de associações nacionais e de membros individuais na África, Ásia, América e Europa.
Évora acolheu na passada semana "uma reunião da Direcção desta federação para discutir e aprovar o plano de actividades para o triénio 2009/2012, uma vez que nós tivemos a Assembleia Geral eleitoral no final do ano passado", explicou Teresa Féria, presidente da FIFCJ.
A mesma responsável referiu também que, "neste momento, a federação tem cerca de 40 países aderentes", mas ao ser questionada sobre o número de mulheres com carreiras jurídicas que a federação pode representar, Teresa Féria não o pode precisar. Exemplifica, dizendo que "se no Brasil são milhares de mulheres nestas carreiras, em S. Tomé são umas duas dezenas. Em Portugal somos centenas".
Reuniões desta natureza, como a que aconteceu em Évora, vão decorrendo em diferentes países do mundo. Portugal já acolheu estas reuniões mais do que uma vez, mas foi a primeira vez que foi realizada nesta cidade alentejana.
No caso de Portugal, a opção por promovê-las em diferentes cidades, é para a presidente da FIFCJ "uma forma de darmos a conhecer o nosso país às estrangeiras realizando as reuniões sempre em diferentes pontos do território".
No que diz respeito ao encontro organizado em Évora, Teresa Féria recordou que "começou na passada quinta-feira, com um passeio a Reguengos, a Monsaraz e a Alqueva. Na manhã de sexta-feira, decorreu a sessão de abertura no Tribunal da Relação de Évora, enquanto à tarde teve lugar uma conferência na Ordem dos Advogados, sobre a questão dos direitos da igualdade entre homens e mulheres nas convenções internacionais".
No sábado deu-se "a continuação da reunião e ao final da tarde decorreu mais uma visita, neste caso aos Cromeleques dos Almendres. Domingo foi dia de partida", completou a mesma dirigente.
Na sua perspectiva, a FIFCJ tem "importância, não só porque agrupa diferentes sensibilidades jurídicas e permite uma discussão a nível internacional das diferentes matérias; mas também porque tem estatuto consultivo junto do Conselho Económico e Social das Nações Unidas e trabalha com diferentes agências das Nações Unidas, como a UNESCO, a UNIFEM, a FAO ou a OIT".
Além desta influência em termos internacionais, Teresa Féria frisou que, "ao nível de cada país, as diferentes associações ou os membros individuais da Federação tentam influenciar as respectivas legislações que dizem respeito às igualdades entre homens e mulheres".
Na reunião realizada em Évora participaram cerca de 30 mulheres oriundas dos diferentes países que estão associados à FIFCJ. Jocelyne Milandou, presidente nacional da Association des Femmes Juristes du Congo e membro do Bureau da FIFCJ, foi uma das participantes. Em conversa com o Diário do Sul, realçou que foi "a primeira vez" que veio a Portugal. Na sua opinião, "Évora é uma cidade muito bonita", considerando-a "o local ideal para trabalhar".