Este ano, o Governo Civil do Distrito de Évora decidiu inovar e fazer uma apresentação dos meios de combate a incêndios florestais em dois concelhos distintos, Reguengos de Monsaraz e Portel.
Partindo toda a comitiva do ancoradouro de Monsaraz, concelho de Reguengos, com destino à Amieira, concelho de Portel, fazendo-se a viagem a bordo do barco "Guadiana", ao longo do percurso, que demorou cerca de duas horas e meia, foram efectuadas breves comunicações em torno do assunto em foco.
A Governadora Civil, Fernanda Ramos, adiantou que estas apresentações do dispositivo são feitas com um único objectivo: "de forma a que a comunicação social faça chegar à população, a informação de que há meios disponíveis no terreno para poder salvar vidas e bens no caso de incêndios". Este ano, a escolha incidiu nestes dois concelhos "porque pensámos ser também uma forma de reflectirmos sobre o grande lago de Alqueva, aquilo que são as suas potencialidades, mas também os problemas que, eventualmente, podem existir em termos de protecção civil", avançou.
Durante a travessia, Maria João Rosado, técnica superior de Protecção Civil do Comando Distrital de Operações de Socorro do Distrito de Évora (CDOS), alertou para o facto da precipitação que se verificou no final de 2009 e início de 2010 proporcionar um crescimento das árvores e vegetação, o que poderá provocar elevados índices de incêndios florestais.
Deste modo, considerou ser imprescindível apostar na prevenção junto dos proprietários agrícolas e florestais "para que redobrem os cuidados de segurança nas alturas consideradas mais críticas. Temos que nos preparar sempre para os piores cenários possíveis. O que nos aflige sempre mais é o facto de existir um elevado número de ignições num curto espaço de tempo, por isso é que a questão da prevenção é muito importante", opinou. "O fogo é um mau patrão, mas um bom criado", parafraseou, argumentando que destrói tudo, "mas se tivermos controlo sobre ele passa a ser nosso amigo".
Também o major Serafim, do Comando Territorial de Évora e oficial de ligação com o CDOS, declarou que as principais causas, no ano passado, foram humanas, sobretudo descuidos no próprio trabalho, com máquinas e ferramentas que provocaram os incêndios. Este responsável afirmou que o papel da GNR é o da fiscalização das áreas florestais, "verificando se estão limpas, por isso, fazemos a vigilância fixa em postos de vigia, a vigilância móvel através do SEPNA e acções através do programa de voluntariado com o IPJ".
Contudo, evidenciou que a sensibilização das populações, sobretudo dos pastores, é fundamental "porque são, sobretudo, as pessoas que guardam o gado que estão no terreno e dão o aviso". Segundo este militar, a ideia é evitar que as pessoas tenham comportamentos de risco, esclarecendo que o facto de a GNR estar próximo das populações, facilita a comunicação e a própria observação das áreas, "sendo, por isso, um factor determinante para a prevenção dos incêndios".
À chegada ao concelho de Portel, mais precisamente à Amieira Marina, decorreu uma pequena cerimónia de revista e apresentação de cumprimentos ao dispositivo.