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GCDE na Comunicação Social
Guia de Planos Municipais de Segurança Rodoviária foi apresentado em Évora

Guia de Planos Municipais de Segurança Rodoviária foi apresentado em Évora

Melhorias nos arruamentos das zonas urbanas são a aposta para reduzir a sinistralidade

29/04/2010- Diário do Sul- Maria Antónia Zacarias

Conhecer para agir. É este o desafio que a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) está a fazer a todas as autarquias com o intuito de diminuir a sinistralidade municipal e melhorar o ambiente rodoviário. Deste modo, este planos devem definir as estratégias para intervir eficazmente em termos de trânsito e mobilidade, identificando os problemas existentes, intervindo sobre as suas causas e compreendendo os seus efeitos.

Código da Estrada “quer-se mais simplificado”

O presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) asseverou que, até ao final deste ano, este organismo vai apresentar uma proposta de revisão do Código da Estrada. Contudo, explicou que depois de feita essa proposição terá que ser sujeita a análise quer da tutela, quer da Assembleia da República.

Instado sobre as principais alterações que essa proposta vai integrar, Paulo Marques apenas disse que “grande parte das medidas que iremos apresentar passa pela simplificação do Código da Estrada, sobretudo ao nível da clarificação de um conjunto de factores que não está bem explícita e que geram alguma confusão”.

A segurança rodoviária discutida e planeada ao nível municipal integra-se na Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária (ENSR), que é o documento director e orientador das políticas de prevenção e de combate à sinistralidade rodoviária num espaço temporal alargado (2008-2015) e que tem como meta tornar Portugal num dos dez países europeus com índices de sinistralidade mais baixos.

Contudo, para que isso seja concretizado, o presidente da ANSR, Paulo Marques disse ser fundamental a intervenção de entidades públicas e privadas, bem como da comunidade em geral. As afirmações foram feitas no decorrer do seminário sobre esta temática que decorreu, na passada terça-feira à tarde, no Anfiteatro da Universidade de Évora, e que contou com a presença das diferentes entidades que fazem parte do Conselho Coordenador de Segurança Rodoviária Distrital, das associações que no distrito trabalham a questão.

“Nós evidenciámos como uma das áreas para conseguirmos continuar a reduzir a sinistralidade até 2015, uma aposta na atenção a dar aos arruamentos das zonas urbanas”, referiu, justificando que, nos últimos anos, a baixa da sinistralidade tem sido conseguida “muito à custa das auto-estradas e das vias principais e não tanto dos arruamentos e das zonas urbanas”.

Neste sentido, Paulo Marques defendeu ser preciso uma melhoria das condições de segurança que em meio urbano, “conseguindo-se isso com a intervenção empenhada das autarquias”. Isto é, segundo este responsável, sempre que sejam feitas obras de requalificação na via pública, desde intervenções ao nível do saneamento e da iluminação pública “deve-se aproveitar para melhorar também as condições de mobilidade para uma maior segurança”.

“Passeios podem salvar muitas vidas”

A colocação correcta de uma passadeira, o abaixamento de um lancil, o ordenamento do estacionamento, a melhoria da sinalização horizontal e vertical foram dados como exemplos para aperfeiçoar a segurança rodoviária. No entanto, avançou que um desafio que Portugal tem pela frente, enquanto país, “é a construção de passeios que podem salvar muitas vidas”. O presidente da ENSR explicou que este deve ser o local onde os peões devem circular, embora tenha denunciado “haver inúmeros atravessamentos de localidades onde não há passeios e onde a velocidade de circulação dos veículos é muito elevada”.

Perante estas constatações, o mesmo responsável explicou o porquê da necessidade de haver um Plano Municipal de Segurança Rodoviária e uma estrutura dentro da Câmara Municipal, “que pode ser apenas uma única pessoa que analise a sinistralidade no seu seio, no sentido de se intervir nos aspectos menos correctos”, vincou.

A governadora civil, Fernanda Ramos salientou a importância desta problemática não pode ser assumida por uma única entidade, responsabilizando todos pela segurança rodoviária. “Se, efectivamente, conseguirmos entre todos partilhar estas preocupações, com certeza que teremos um futuro melhor para darmos aos nossos filhos e aos nossos netos”, afirmou, acrescentando ser premente o reforço da sensibilização da comunidade envolvente, reiterando a ideia de que tudo deve começar logo nas escolas com o tratamento desta problemática por parte dos professores.