Os trabalhadores da multinacional norte-americana Kemet Electronics vão manifestar-se, nos dias 29 e 30 de Abril, junto ao Governo Civil, Câmara Municipal e da Delegação da ACT, em Évora e entregar exposições sobre a grave situação laboral na empresa decorrente da diminuição das suas retribuições em 28%, imposta pela administração em Março do ano passado.
Os trabalhadores exigem aumentos salariais, faseados, de 10% e a atribuição de 22 dias úteis de férias e rejeitam o propósito da administração de reparar a situação apenas a alguns, escolhidos por si. As manifestações decorrem no âmbito de greves que abrangem os quatro turnos da empresa.
No dia 29 os trabalhadores concentram-se às 8:30 h, no Rossio de S. Brás e desfilam pelas ruas da cidade até às instalações do Governo Civil, onde permanecerão concentrados a partir das 9:30 horas. Cerca das 10:30 h deslocam-se à Câmara Municipal onde esperam ser recebidos pelo Presidente. Já no dia 30 de Abril os trabalhadores concentram-se às 8:30h no Rossio de S. Brás, deslocando-se depois às instalações da ACT onde se concentrarão a partir das 9:30 horas.
O protesto dos trabalhadores inclui a exigência de que os apoios financeiros do Estado e do Município sejam suspensos até que a administração garanta a manutenção da fábrica em Portugal e se comprometa a respeitar a lei e os direitos dos trabalhadores.
Só em 2009 a Kemet recebeu mais de 3,5 milhões de euros do estado português, que não se sabe onde foram aplicados, ao mesmo tempo que a administração deslocalizava parte dos equipamentos e de produções para o México.
Só no ano passado foram eliminados cerca de 150 postos de trabalho permanentes, através de processos de coacção sobre os trabalhadores que, previamente, foram colocados num processo selvagem de lay - off que custou mais de 1 milhão de euros à Segurança Social e a que a ACT/Évora mostrou a maior permissividade.
No plano laboral, são inúmeras as queixas dos trabalhadores sobre a passividade da ACT. A Kemet, desde há três anos que atribui apenas 16 dias úteis dias de férias aos trabalhadores que, por falta de afixação do respectivo mapa nem sequer sabem quando as gozam.
Mais de cem trabalhadores exercem funções qualitativamente inferiores às suas categorias profissionais, muitos deles por "castigo". O estatuto dos trabalhadores estudantes não é cumprido, enquanto cerca de 60 trabalhadores, temporários, laboram actualmente na empresa, em substituição dos permanentes que foram afastados no ano passado, ocupando postos de trabalho duradouros, incompatíveis com o seu vínculo contratual.