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GCDE na Comunicação Social
Meios de luta a fogos “estão completos e respondem às necessidades do distrito”

Meios de luta a fogos “estão completos e respondem às necessidades do distrito”

11/05/2010- Diário do Sul- Maria Antónia Zacarias

O dispositivo de combate a incêndios florestais no distrito de Évora "está completo, respondendo às necessidades do distrito", asseverou a governadora civil. Fernanda Ramos ressalvou, contudo, que se houver muitas ignições ao mesmo tempo, provavelmente será necessário solicitar apoio aos municípios e distritos mais próximos, contando com a solidariedade dos outros dispositivos, "como é natural nestas situações problemáticas".

Apresentação realizou-se nos Concelhos de Reguengos de Monsaraz e Portel

Vigilância e prevenção são "as palavras de ordem" devido à chuva que fez aumentar muito a vegetação

Este ano, o Governo Civil do Distrito de Évora decidiu inovar e fazer uma apresentação dos meios de combate a incêndios florestais em dois concelhos distintos. Partindo toda a comitiva do ancoradouro de Monsaraz, concelho de Reguengos, com destino à Amieira, concelho de Portel, fazendo-se a viagem a bordo do barco "Guadiana", ao longo do percurso, que demorou cerca de duas horas e meia, foram efectuadas breves comunicações em torno do assunto em foco.

A Governadora Civil adiantou que estas apresentações do dispositivo são feitas com um único objectivo: "de forma a que a comunicação social faça chegar à população, a informação de que há meios disponíveis no terreno para poder salvar vidas e bens no caso de incêndios". Este ano, a escolha incidiu nestes dois concelhos "porque pensámos ser também uma forma de reflectirmos sobre o grande lago de Alqueva, aquilo que são as suas potencialidades, mas também os problemas que, eventualmente, podem existir em termos de protecção civil", avançou.

Durante a travessia, Maria João Rosado, técnica superior de Protecção Civil do Comando Distrital de Operações de Socorro do Distrito de Évora (CDOS), alertou para o facto da precipitação que se verificou no final de 2009 e início de 2010 proporcionar um crescimento das árvores e vegetação, o que poderá provocar elevados índices de incêndios florestais.

Deste modo, considerou ser imprescindível apostar na prevenção junto dos proprietários agrícolas e florestais "para que redobrem os cuidados de segurança nas alturas consideradas mais críticas. Temos que nos preparar sempre para os piores cenários possíveis. O que nos aflige sempre mais é o facto de existir um elevado número de ignições num curto espaço de tempo, por isso é que a questão da prevenção é muito importante", opinou. "O fogo é um mau patrão, mas um bom criado", parafraseou, argumentando que destrói tudo, "mas se tivermos controlo sobre ele passa a ser nosso amigo".

Também o major Serafim, do Comando Territorial de Évora e oficial de ligação com o CDOS, declarou que as principais causas, no ano passado, foram humanas, sobretudo descuidos no próprio trabalho, com máquinas e ferramentas que provocaram os incêndios. Este responsável afirmou que o papel da GNR é o da fiscalização das áreas florestais, "verificando se estão limpas, por isso, fazemos a vigilância fixa em postos de vigia, a vigilância móvel através do SEPNA e acções através do programa de voluntariado com o IPJ".

Contudo, evidenciou que a sensibilização das populações, sobretudo dos pastores, é fundamental "porque são, sobretudo, as pessoas que guardam o gado que estão no terreno e dão o aviso". Segundo este militar, a ideia é evitar que as pessoas tenham comportamentos de risco, esclarecendo que o facto de a GNR estar próximo das populações, facilita a comunicação e a própria observação das áreas, "sendo, por isso, um factor determinante para a prevenção dos incêndios".

À chegada ao concelho de Portel, mais precisamente à Amieira Marina, decorreu uma pequena cerimónia de revista e apresentação de cumprimentos ao dispositivo.

Durante o período de maior risco, a chamada fase Charlie, que decorre entre 1 de Julho e 30 de Setembro, a representante do Governo explicou que haverá um maior envolvimento de meios, atingindo o dispositivo cerca de 200 homens e mulheres em regime de permanência, reforçados pontualmente com os meios e recursos não afectos de forma directa ao dispositivo.

Esta ideia foi reiterada pelo comandante operacional distrital de Évora, José Ribeiro, que apresentou o dispositivo constituído por 14 Corpos de Bombeiros apoiados de forma integrada pelo Grupo Distrital da Força Especial de Bombeiros, meios humanos e materiais da Guarda Nacional Republicana, da Policia de Segurança Publica, da Autoridade Florestal Nacional e das Autarquias, Cruz Vermelha Portuguesa e AFOCELCA, apoiados por um helicóptero sedeado no Centro de Meios Aéreos de Estremoz. "Destaco ainda o envolvimento imprescindível dos Serviços Municipais de Protecção Civil, que promovem um apoio mais diferenciado às Forças de Socorro", frisou.

A governadora civil mostrou-se, contudo, preocupada com a propensão deste Verão ser "difícil" em termos de ignições. "Estamos conscientes do clima que tivemos, do excesso de humidade e do material combustível que temos nas florestas que pode, efectivamente, levar-nos a ter alguns problemas", sustentou. No entanto, sublinhou que está a ser feito um esforço no sentido de minimizar estas situações, utilizando recursos humanos, "nomeadamente desempregados que vão ser chamados para a limpeza da floresta, quer através das autarquias locais, quer através das associações de produtores florestais, quer mesmo através dos próprios proprietários", anunciou.

Fernanda Ramos explicou que, neste momento, o Governo disponibiliza meios para que possa haver uma limpeza efectiva da floresta, bem como uma reflorestação. "Há necessidade, neste momento, de tentarmos limpar a floresta, temos os meios para combater um incêndio no caso dele existir, mas temos que pensar no futuro que passa pela reflorestação. Não podemos permitir perder este património natural", vincou.

Tendo em conta estes objectivos, o comandante Jorge Ribeiro anunciou que, para este ano, a prioridade absoluta é o ataque inicial com a detecção oportuna dos fogos. "Temos que garantir o ataque inicial, como primeira intervenção organizada e integrada, sustentada por um despacho inicial de meios de combate, até dois minutos depois da localização do incêndio, de forma musculada e consistente e em triangulação", explicitou. O ataque inicial desenrola-se de forma intensa com rápida progressão de equipas helitransportadas, equipas terrestres e meios aéreos, independentemente da sua titularidade e explorando ao máximo todas as suas capacidades.