«Sob o título "Polícia reabre posto de atendimento da Cruz da Picada", o Diário do Sul noticiou hoje, com chamada de atenção na primeira página, uma reunião que teve lugar na passada 3° feira no Auditório da CCDRA, sobre a presidência do Governador Civil.
Aparentemente, só lá estiveram - ou pelo menos, só lá falaram - o Governador Civil, a Presidente da Junta de Freguesia da Malagueira e o Comandante Distrital da PSP. Todas as outras pessoas que tomaram a palavra para denunciar as condições de insegurança nas ruas, e chamar a atenção para os graves problemas que os cidadãos aí enfrentam, foram ignorados na vossa reportagem, ainda que se tratasse de eleitos da freguesia, comerciantes ali fixados e outros vizinhos, continuando por essa via a conspiração do silêncio que vem abafando as angústias e reclamações dos moradores da Malagueira, do B° de Sta. Maria e da Cruz da Picada. Parece-me, por isso, importante, como Presidente da Assembleia de Freguesia da Malagueira, lembrar alguns factos e dor voz àqueles que naquela reportagem foram silenciados.
Em 2002 o Posto da PSP na Cruz da Picada, na altura com uma corporação foi encerrado, com acordo expresso da Presidente da Junta de Freguesia, e desprezando os protestos da população alarmada com esta redução drástica dos, já de si escassos meios de segurança na zona.
Em Novembro do 2003 a Assembleia de Freguesia da Malagueira realizou uma reunião extraordinária aberta à população, e na qual participaram um representante do Governo Civil, o Presidente da Câmara, o Comandante da PSP e representantes da Segurança Social e do IGAPE.
Foi denunciada a total falta de segurança da zona, onde os marginais actuavam à vontade e onde se verificava a venda de droga à luz do dia, onde se instalou o medo, e as pessoas receavam andar na rua, onde se verificavam autênticos actos de extorsão de que são vitimas reformados e idosos a quem são roubadas as escassas reformas.
Em suma, num território em que escasseia a lei e ordem, a para a qual a Assembleia reclamou a reabertura do Posto com meios humanos suficientes, certamente superior ao efectivo anterior bem como uma intervenção convergente e integrada dos diferentes agentes públicos associativos sediados na Freguesia, com vista à integração social das populações marginais da zona. Nada aconteceu.
E durante este período, convergiram para a Cruz da Picada e B° de Sta. Maria mais habitantes problemáticos, transformando aquela zona num domínio controlado pela marginalidade. No dia 25 de Abril de 2004, o Grupo Desportivo de Sta. Maria e Fontanas, colectividade activa que mobiliza centenas de praticantes e de jovens, foi assaltada e saqueada por aqueles elementos tendo alguns dos seus dirigentes sido forçados a abandonar o Bairro e ir viver para longe, no seguimento de agressões e sérias ameaças à sua integridade física.
Até hoje, mais de um ano volvido, a colectividade continua sem conseguir abrir normalmente, os apedrejamentos e assaltos continuam sob o silêncio dos órgãos de informação.
Perante este quadro o anúncio de abertura de um posto de atendimento com apenas um agente da PSP, e sabe-se lá quando, não pode deixar de nos indignar. É óbvio quo tudo isto é insólito meramente simbólico e uma clara afronta a uma população que quer defender o seu Bairro e o seu local de vida, que paga os seus impostos e se vê abandonada pelas autoridades e submetidas à insegurança imposta pelos marginais.
A ocasião do anúncio, é uma óbvia - e bacoca - manifestação de eleitoralismo tonto. Que não enganará certamente, os habitantes da Freguesia da Malagueira.»
N. R. Os casos apontados por António Foito têm, no mínimo, mais de um ano e foram na altura devidamente noticiados pelo "Diário do Sul". A novidade da reunião foi, do facto, a reabertura do posto da PSP na Cruz da Picada - daí o destaque.
Quanto às considerações de natureza política apenas se regista que, ouvida a gravação da intervenção do António Foito, nenhuma delas foi proferida no local. Ali, António Foito referiu: "a população penso que não quis o posto encerrado, portanto congratulo-me com a abertura do posto».