Os trabalhadores da multinacional norte americana Kemet Electronics, de Évora, iniciaram esta manhã uma greve que dura até ao dia de amanhã e que afecta os quatro turnos da empresa.
Juntamente à paralisação, os trabalhadores realizam uma marcha pela cidade até ao Governo Civil e à Câmara Municipal de Évora para tentarem sensibilizar, através de um memorando, quer a governadora, quer o presidente da autarquia para os problemas que estão a viver dentro da empresa.
Amanhã, sexta-feira, os trabalhadores vão entregar o mesmo memorando na Autoridade para as Condições de Trabalho. De acordo com Hugo Henrique, delegado sindical da Kemet, os trabalhadores estão a exigir um aumento de 10 por cento nos vencimentos e a atribuição de 22 dias úteis de férias. "Há um ano, no auge da crise, nós todos fizemos os sacrifícios que nos foram pedidos para salvar a empresa, com isso perdemos dinheiro que agora a administração não quer repor", afirma Hugo Henrique.
No ano passado, devido à escassez de encomendas a empresa terminou com a laboração contínua e com isso, segundo Hugo Henrique, "os trabalhadores perderam 30 por cento do seu vencimento". "Mas nós percebemos que era preciso fazermos sacrifícios, por isso nos sujeitámos. Agora só gostávamos de ter alguma compensação".
Daí que os trabalhadores insistam no aumento de 10 por cento no vencimento, que é apenas uma terça parte do que perderam no ano passado. "Podem pensar que nós somos irresponsáveis por pedirmos 10 por cento de aumento numa altura destas, mas nós queremos apenas ser ressarcidos numa parte daquilo que perdemos", insiste Hugo Henrique, alertando também para o facto de os operários terem ficado sem o subsídio de turno.
As reivindicações dos trabalhadores da Kemet, além dos 22 dias úteis de férias perdidos também no período de crise do ano passado, "agora temos apenas 15 dias e três horas de férias", diz Hugo Henrique, passam também pela recusa em aceitar um plano que a administração quererá implementar na empresa.
Ainda de acordo com o delegado sindical da Kemet empresa pretende "acabar com as categorias profissionais" deixando também de haver chefes de equipa, passando a existir uma nova categoria que são os team-leaders. "Estamos a ser diminuídos profissionalmente", assegura Hugo Henrique.
Estas são as injustiças de que se queixam os trabalhadores da Kemet que querem os órgãos decisores da cidade informados sobre as suas queixas, visto que há um ano "também eles fizeram parte das negociações para se tentar salvar a empresa". "Nós somos munícipes desta cidade. Queremos saber qual é a posição dos órgãos de poder de Évora, porque se estiveram ao lado da administração num momento difícil, agora que somos nós a atravessar um mau período ninguém aparece", sentencia Hugo Henrique.