GCDE na Comunicação Social
Receio de mais cortes gerou uma corrida às torneiras e a água ficou sem pressão

Receio de mais cortes gerou uma corrida às torneiras e a água ficou sem pressão

08/01/2010- Público- Maria antónia Zacarias

Chuva e lamas contaminadas na origem do alumínio em excesso. Administração da região hidrográfica promete limpar albufeira do Monte Novo no Verão, para evitar repetições.

Segurança - Vistoria às albufeiras agrícolas

Para prevenção de eventuais situações de extravaso de outras barragens, sobretudo agrícolas, a Administração da Região Hidrográfica do Alentejo, a Direcção Regional de Agricultura e as autarquias vão iniciar a sinalização deste tipo de albufeiras. Isto porque estas são feitas fundamentalmente de terra compactada, muitas não estão licenciadas e localizam-se em propriedade privada.

A governadora civil de Évora, Fernanda Ramos, salientou que, até ao momento, foi solicitado o apoio da Protecção Civil na Barragem do Barrocal, no concelho de Reguengos de Monsaraz, por ter sido detectado que numa das partes só existe cerca de 70 cm de terra, o que significa que a acumulação de água pode provocar um rebentamento. Contudo, afiançou que esta já foi vistoriada e que, se houvesse um acidente, "não haveria problema porque a zona circundante tem capacidade de absorção da água, não se correndo os riscos de cortar a estrada e afectar populações".

A situação do abastecimento de água na cidade de Évora está, aos poucos, a voltar ao normal. Ontem de manhã, a maioria dos cerca de 50 mil habitantes já tinham água, embora alguns ainda com pouca pressão. Uma situação que, segundo o presidente da câmara municipal, José Ernesto d"Oliveira, seria ultrapassada brevemente. Outras zonas, sobretudo as do centro histórico, ainda continuavam com as torneiras secas ontem, à hora de fecho desta edição.

Um desses casos, na Praça do Giraldo, coração da cidade, era por cima do conhecido Café Arcada, onde os habitantes dos prédios rústicos continuaram a tratar da higiene da casa com a água da chuva e a usar água engarrafada para cozinhar.

A Administração da Região Hidrográfica (ARH) do Alentejo avançou com duas razões para explicar a concentração de alumínio na água, que obrigou ao corte de anteontem no abastecimento. Por um lado, a chuva e, por outro, práticas ambientais erradas, mais concretamente a deposição de lamas contaminadas junto à estação de tratamento de águas.

ARH garante qualidade

"Temos assistido a uma intensa precipitação, o que se traduziu em escoamentos fortes para a Barragem do Monte Novo", sublinhou, ontem, a presidente da Administração da Região Hidrográfica do Alentejo, Paula Sarmento. As enxurradas arrastaram todo o tipo de partículas que se encontravam na envolvente da albufeira, incluindo lamas com alumínio, resultantes do processo de tratamento da água que é captada para o abastecimento. "Existem lamas muito próximas da estação de tratamento de água", disse Paula Sarmento, e "todo esse material", incluindo o manganês existente de forma "natural" nos terrenos envolventes à barragem, "chegou ao mesmo tempo à albufeira". Além disso, "com o passar dos anos", também alguns resíduos dessas antigas lamas já tinham sido levados, acabando por sedimentar-se. Com a chuva intensa e a turbulência da água da albufeira, numerosas partículas de resíduos entraram em suspensão, nas proximidades das zonas onde é captada a água para abastecimento.

"São situações temporárias, porque essas partículas sedimentam outra vez a jusante da captação", frisou.

No final de uma reunião da Comissão Distrital de Protecção Civil, a mesma responsável explicou que o serviço que dirige já tinha planeado uma limpeza na albufeira. "Já era intenção fazer a limpeza e algumas acções de promoção da qualidade da água do Monte Novo". Intenções que, pelo menos no que toca à limpeza, terão de esperar pelo próximo Verão, porque agora a albufeira está cheia.

Grande procura

Para o presidente da câmara, o problema ontem foi a corrida às torneiras que começou. "Estamos, neste momento, com um consumo de 800 metros cúbicos por hora, quando a nossa capacidade é de 600. Logo, estes picos estão a fazer baixar a pressão nas torneiras", lamentou José Ernesto d"Oliveira, criticando quem pôs a circular boatos.

A ânsia de abastecer as casas explicava-se com os receios de que iria haver cortes a partir das 0h00 desta sexta-feira, uma hipótese que o autarca refutou mas que teria levado à acumulação de água em todo o tipo de depósitos. "É lamentável que isto esteja a acontecer, até porque o que estamos a assistir é a uma política destrutiva. Pode ser que um dia tenhamos uma cultura urbana que perceba tudo o que tem vindo a acontecer", vincou.

Quanto à água que voltou à rede pública, a ARH garante a qualidade. No momento do corte, o alumínio atingiu 350 microgramas por litro na água bruta, isto é, na captação, quando o máximo é de 200. Ontem, segundo Paula Sarmento, os níveis estavam "muito abaixo do máximo".

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